Do céu

1 de Setembro, 2021 Não Por Madalena Palma

Aquele escrevo não escrevo que nem eu percebo.
Com o peito cheio de sentimentos e momentos.
Com a pele em carne viva a sentir a brisa, o cair da noite, as gotas de água. Sentir.
Com o olhar e ver. Ver. Sem palavras para descrever o quanto a mente se abre quando paramos para não pensar em nada. Admirar o céu como em 45 anos nunca tinha visto. Admirável.
Com um mundo de gente a chegar, com o sonho nas suas mãos e a vida nas nossas.
Com a gestão do fim da linha e o abraço de conforto a quem fica.
Com tanto num corpo cansado mas que não se rende a nada.
Nada.
O arrastar dos pés não é cansaço. São raízes que ganham firmeza.
Na luta diária de continuar a acreditar que a dignidade humana está intrínseca a cada ser e não na origem de cada um.
Na esperança de dias melhores para os que vêm, desvalorizando a pequenez das mentes mundanas.
O mundo está louco e enlouquece quem não vê.
E para ver não basta abrir os olhos.