Da vida

26 de Julho, 2021 Não Por Madalena Palma

As pessoas são seres estranhos. Deslocam-se e habitam em casulos que deveriam ser venerados mas são sempre tão mal tratados. As pessoas são seres de práticas estranhas. Têm hábitos nocivos com o perfeito conhecimento de que estão a autodestruir-se. Fazem-no também com o planeta sabendo que não é renovável. Somos pessoas estranhas e tantas vezes tão más. Relacionamo-nos com interesses. Relacionamo-nos sem interesse. Tantas vezes concentrados e focados em nós quando deveríamos olhar para todo o corpo e mente e cultivar e dar o melhor que temos mas estamos mais concentrados em juntar cotão no umbigo. Somos seres estranhos. Vivemos na procura constante da felicidade desvalorizando que ela está em tantos pequenos momentos que vivemos no dia-a-dia. E é aí que vamos perdendo o sentido de gratidão que não sendo uma característica intrínseca na maioria dos seres, poderia ser trabalhado a par da empatia. A vida dá voltas e voltas e insiste em mostrar que o dia de hoje não será semelhante ao de amanhã e nem que seja por interesse e a bem da nossa saúde mental, devemos ter cuidado com o que fazemos, dizemos e com os passos que damos. Porque depois a vida acontece e apanha-nos na curva. E é uma chatice. Ou não. Depende da merda que andámos a fazer ou a dizer ou da capacidade empática com que naturalmente lidámos com uns com os outros.
Mas a vida é uma velhaca. Mas o melhor que levamos dela é a vida que levamos por isso, nada melhor do que nos sentirmos gratos pelo que temos e se achamos que a vida é injusta connosco nada como parar, fazer introspeção, reavaliar o que andamos a fazer e definir estratégias. Em tantos momentos é preciso ajuda e essa ajuda está mais à mão do que se pensa. Nós é que não vemos para além do nosso umbigo mas à nossa volta há um mundo em cada um de nós.