Das marcas

14 de Junho, 2021 Não Por Madalena Palma

“Faças o que fizeres nunca agradarás a todos.”
A minha mãe disse-me esta frase infinitas vezes.
Ao longo da vida passaram por mim várias pessoas que em determinada altura eram o melhor que a vida tinha e hoje nem me lembro o que nos unia. Falo de amigos de infância, de adolescência, e por aí adiante.
Uns marcaram momentos. Outros passaram por momentos. Talvez por isso essa frase que a minha mãe dizia nunca encaixava em mim. Ela por vezes perguntava por esta ou aquele e eu dizia pouco como sempre digo quando as pessoas seguiram rumos diferentes do meu. Realmente houve momentos em que a vida nos cruzou mas como qualquer cruzamento há prioridades e cada um seguiu a sua. Nunca foi minha intenção criar amizades ou querer pertencer a este ou aquele grupo. Nunca quis agradar ninguém para poder ser aceite. Sempre tive um feitio muito meu. Uma forma de ser que garantidamente não agrada a todos mas não é minha intenção tê-los a todos na minha vida.
Há pessoas que não prestam para nada. Têm mau caráter. Gostam de coisas diferentes daquelas que eu gosto. Essas podem seguir o caminho delas que eu não atrapalho. (Mas não tentem atrapalhar o meu porque depois é chato e aborrecido e não é para mim).
Depois há pessoas que gosto de conhecer e descobrir, que dão gozo, que superam, que acrescentam, que são desafiantes. Essas quero aqui bem perto porque aprendo com elas e eu adoro aprender. Essas amizades alimento, rego, bebo, e vejo crescer com orgulho.
Depois há aquelas que vivem como eu. Vivem a sua vida tranquilamente no seu canto, na paz, malta do bem, que não chateia, com carácter forte, que não precisa de desvalorizar o trabalho dos outros para o seu brilhar. Gosto dessas também.
Agradar a todos não é possível.
Ainda há quem viva nessa ilusão.
Tirem isso da cabeça. Mais cedo ou mais tarde haverá escolhas. E se não as houver, é porque a resignação ganhou e não é dessas pessoas que reza a história e nós passamos pela vida para deixar alguma marca, não?