Pensamentos parvos, quem não os tem?

25 de Fevereiro, 2021 Não Por Madalena Palma

Olhar para a parede e não ver. Apenas olhar. Tempo infinito.

Criar cenários em que no mar navega um sapato que afinal é uma porta com um cobertor velho em cima onde está a dormir uma gaivota que fala espanhol. E a gaivota olha para mim, que estou sentada numa esplanada e diz-me “eres un mono sin verguenza”.

Afinal deveria estar no Luís da Rocha há 20 anos. (Não sabem o que é o Luís da Rocha vão ao google)

Então e escrever textos sem nexo porque apetece apenas pingar os dedos no teclado e deixar fluir. Deixar fluir o que apetecer só porque sei que tenho de volta o Aliciante onde também aqui sou aquilo que mais gosto de ser: Eu!. Aiiiiii se gosto. É inexplicável.

Parece que foi ontem que tive a ousadia de clicar no ícone “Publicar” pela primeira vez. Que sensação tão boa. Ter história, ter percurso, ter caminho, é fabuloso. São quase duas décadas.

Não é um diário, mas bem que podia ser.

Se fosse um diário, hoje escreveria que nunca pensei sentir-me tão bem rodeada de tantas pessoas. Há alturas em que as pessoas cansam. Todos temos esses momentos. Em que ouvir-lhes o respirar cansa. Mas abrir a mente é importante.

É importante e fundamental também termos capacidade de abrir espaço em nós. Mesmo quando nos sentimos assoberbados, porque acho que temos espaço infinito. Temos espaço para dar atenção, para falar, para se fazer ouvir, para escutar, para descobrir, para apenas ser tanto como estar. Não é fácil isso acontecer em dias loucos em que as pessoas exigem na mesma medida em que nós o fazemos.

Mas a vida é boa. Difícil, mas boa. E eu sinto-me apenas no princípio.